Blog Rio Preto Noutros Tempos – por Rodrigo Magalhães*
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| Corporação Musical Lima Santos, 28/03/1908. |
Certamente entre os momentos mais
felizes vivenciados pela população do município de Rio Preto ao longo dos
últimos 120 (cento e vinte) anos, está a programação que consiste em ouvir a
música tocada pela Corporação Musical Lima Santos, bem como assistir aos seus
pomposos desfiles pelas ruas e praças da cidade!
Ela foi fundada no dia dois de julho
de 1901, pelo maestro e professor de música Venâncio da Rocha Lima Santos,
natural de Sabará/MG, discípulo do padre José Maria Xavier, um renomado músico
e mestre na composição sacra que foi pároco em Rio Preto de 1947 a 1948. Desde
então, a centenária corporação musical até os dias atuais desfila pelas ruas da
cidade abrilhantando as datas comemorativas, os eventos religiosos e o carnaval
na cidade de Rio Preto.
A cidade de Rio Preto tem tradição
quanto às corporações musicais. Na inauguração da Matriz Senhor dos Passos, em
novembro de 1860, uma “banda de música” local se apresentou. O maestro era o
professor Teixeira Penna Forte, diretor e proprietário de uma “escola de música vocal e instrumental na
Villa do Rio Preto”.
Mas no início do século 20 a música
em Rio Preto se fazia de forma esporádica, a convite de músicos ou por prévia
combinação. Até que aos dois de julho de 1901, um professor de músico
recém-chegado do distrito de Santa Rita de Jacutinga, decidiu fundar uma banda
na sede do município, composta por discípulos dedicados, e que nada tinham a
ver com a “velha banda”.
Nesse início a banda não tinha nome,
mas o público em geral passou a denominá-la de “Bandinha do Mestre Venâncio”,
em referência ao professor de música, mentor e criador da banda, que permaneceu
à frente da mesma até o dia 28 de maio de 1905, quando veio a falecer em Rio
Preto.
Consta que no seu leito de dor, o
professor Venâncio, reunido com alguns dos seus alunos e discípulos, como
Estevão de Oliveira, Augusto Fagundes, Geraldo Gomes, Manoel Cunha, Antônio
Pinto da Silva e outros, pediu-lhes que em todos os anos, mesmo com dois ou
três músicos, a banda execute o Hino Nacional na cidade de Rio Preto, no dia
sete de setembro.
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| Venâncio da Rocha Lima Santos |
Após o falecimento do professor
Venâncio, liderados pelo musicista e sobrinho desse último, Avelino Ferreira da
Silva, houve entendimentos com os discípulos do mestre falecido para a formação
de uma corporação musical. Apoiados pelo também maestro e pai de Avelino, o
advogado Major Manoel Ferreira da Silva, aos 28 de junho daquele corrente ano
de 1905, realizaram na improvisada sede da Bandinha do Professor Venâncio uma
eleição para a formação da diretoria da corporação musical, cuja primeira
resolução foi que o grupo seria denominado Lima Santos, em homenagem ao
inesquecível professor.
No dia 23 de julho houve o batismo
simbólico da Corporação Musical Lima Santos. Sob a presidência do Major Manoel
Ferreira da Silva, Avelino Silva apresentou os estatutos, ficando ele próprio
como 1º secretário, e o senhor Urbano Costa como 2º secretário. O regimento
interno ficou a cargo da presidência.
A sua primeira apresentação depois de
oficialmente fundada aconteceu aos 25 de julho de 1905, na concorrida festa do
povoado de São Pedro do Taguá, a convite do vigário da cidade, padre José
Ignácio de Souza Bittencourt, e do abastado fazendeiro daquela localidade, o
tenente-coronel Basílio da Costa Mexas, que ofereceu aos músicos um lauto banquete
logo após a apresentação inaugural.
Aos sete de setembro aconteceu a mais
aguardada apresentação daquele ano de fundação da corporação musical. Atendendo
o último pedido do professor Venâncio, a Banda Lima Santos saiu em desfile
pelas principais ruas da cidade, executando o Hino Nacional Brasileiro, abrindo
e inaugurando assim a tradicional alvorada do Dia da Independência em Rio
Preto.
A primeira foto da Banda Lima Santos
ocorreu em 28 de março de 1908, tendo aos fundos a Matriz Senhor dos Passos. O
presidente da Corporação Musical era o padre José Ignácio de Sousa Bittencourt,
e os músicos presentes na foto eram: Alexandre dos Santos Cyrne, Augusto Guida,
Padre José, Estevão de Oliveira, Agenor Neves (sentados), e Agostinho Sousa,
Pedro Antônio Leocardo (estandarte), Augusto Fagundes, maestro Moyses Nunes,
Justino Gomes, Joaquim Lima Santos, Abelard Garcia, José Augusto da Silva, José
Guida (em pé), e José da Silveira, Augusto Bôa Ventura de Azevedo, Antônio
Alves Tibúrcio e Avelino Ferreira da Silva.
Aos seis de março de 1947, a Corporação Musical Lima Santos realizou a compra de um terreno na Rua Nilo Peçanha, no centro da cidade de Rio Preto, onde construiu um prédio que até os dias atuais serve de sede para a banda, que lá executa ensaios, realiza aulas de música e promove eventos culturais.
*Rodrigo Magalhães, pesquisador e historiador riopretano.


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