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sexta-feira, 2 de julho de 2021

BANDA LIMA SANTOS: A CENTENÁRIA CORPORAÇÃO MUSICAL DE RIO PRETO

Blog Rio Preto Noutros Tempos – por Rodrigo Magalhães*

 

Corporação Musical Lima Santos, 28/03/1908.


Certamente entre os momentos mais felizes vivenciados pela população do município de Rio Preto ao longo dos últimos 120 (cento e vinte) anos, está a programação que consiste em ouvir a música tocada pela Corporação Musical Lima Santos, bem como assistir aos seus pomposos desfiles pelas ruas e praças da cidade!

Ela foi fundada no dia dois de julho de 1901, pelo maestro e professor de música Venâncio da Rocha Lima Santos, natural de Sabará/MG, discípulo do padre José Maria Xavier, um renomado músico e mestre na composição sacra que foi pároco em Rio Preto de 1947 a 1948. Desde então, a centenária corporação musical até os dias atuais desfila pelas ruas da cidade abrilhantando as datas comemorativas, os eventos religiosos e o carnaval na cidade de Rio Preto.

A cidade de Rio Preto tem tradição quanto às corporações musicais. Na inauguração da Matriz Senhor dos Passos, em novembro de 1860, uma “banda de música” local se apresentou. O maestro era o professor Teixeira Penna Forte, diretor e proprietário de uma “escola de música vocal e instrumental na Villa do Rio Preto”.

Mas no início do século 20 a música em Rio Preto se fazia de forma esporádica, a convite de músicos ou por prévia combinação. Até que aos dois de julho de 1901, um professor de músico recém-chegado do distrito de Santa Rita de Jacutinga, decidiu fundar uma banda na sede do município, composta por discípulos dedicados, e que nada tinham a ver com a “velha banda”.

Nesse início a banda não tinha nome, mas o público em geral passou a denominá-la de “Bandinha do Mestre Venâncio”, em referência ao professor de música, mentor e criador da banda, que permaneceu à frente da mesma até o dia 28 de maio de 1905, quando veio a falecer em Rio Preto.

Consta que no seu leito de dor, o professor Venâncio, reunido com alguns dos seus alunos e discípulos, como Estevão de Oliveira, Augusto Fagundes, Geraldo Gomes, Manoel Cunha, Antônio Pinto da Silva e outros, pediu-lhes que em todos os anos, mesmo com dois ou três músicos, a banda execute o Hino Nacional na cidade de Rio Preto, no dia sete de setembro.


Venâncio da Rocha Lima Santos

Após o falecimento do professor Venâncio, liderados pelo musicista e sobrinho desse último, Avelino Ferreira da Silva, houve entendimentos com os discípulos do mestre falecido para a formação de uma corporação musical. Apoiados pelo também maestro e pai de Avelino, o advogado Major Manoel Ferreira da Silva, aos 28 de junho daquele corrente ano de 1905, realizaram na improvisada sede da Bandinha do Professor Venâncio uma eleição para a formação da diretoria da corporação musical, cuja primeira resolução foi que o grupo seria denominado Lima Santos, em homenagem ao inesquecível professor.

No dia 23 de julho houve o batismo simbólico da Corporação Musical Lima Santos. Sob a presidência do Major Manoel Ferreira da Silva, Avelino Silva apresentou os estatutos, ficando ele próprio como 1º secretário, e o senhor Urbano Costa como 2º secretário. O regimento interno ficou a cargo da presidência. 

A sua primeira apresentação depois de oficialmente fundada aconteceu aos 25 de julho de 1905, na concorrida festa do povoado de São Pedro do Taguá, a convite do vigário da cidade, padre José Ignácio de Souza Bittencourt, e do abastado fazendeiro daquela localidade, o tenente-coronel Basílio da Costa Mexas, que ofereceu aos músicos um lauto banquete logo após a apresentação inaugural.

Aos sete de setembro aconteceu a mais aguardada apresentação daquele ano de fundação da corporação musical. Atendendo o último pedido do professor Venâncio, a Banda Lima Santos saiu em desfile pelas principais ruas da cidade, executando o Hino Nacional Brasileiro, abrindo e inaugurando assim a tradicional alvorada do Dia da Independência em Rio Preto.

A primeira foto da Banda Lima Santos ocorreu em 28 de março de 1908, tendo aos fundos a Matriz Senhor dos Passos. O presidente da Corporação Musical era o padre José Ignácio de Sousa Bittencourt, e os músicos presentes na foto eram: Alexandre dos Santos Cyrne, Augusto Guida, Padre José, Estevão de Oliveira, Agenor Neves (sentados), e Agostinho Sousa, Pedro Antônio Leocardo (estandarte), Augusto Fagundes, maestro Moyses Nunes, Justino Gomes, Joaquim Lima Santos, Abelard Garcia, José Augusto da Silva, José Guida (em pé), e José da Silveira, Augusto Bôa Ventura de Azevedo, Antônio Alves Tibúrcio e Avelino Ferreira da Silva.

Aos seis de março de 1947, a Corporação Musical Lima Santos realizou a compra de um terreno na Rua Nilo Peçanha, no centro da cidade de Rio Preto, onde construiu um prédio que até os dias atuais serve de sede para a banda, que lá executa ensaios, realiza aulas de música e promove eventos culturais.

*Rodrigo Magalhães, pesquisador e historiador riopretano.

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