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quinta-feira, 11 de março de 2021

Viscondessa do Monte Verde: a única mulher a receber esse título nobre em Minas Gerais!

Bolg Rio Preto Noutros Tempos – por Rodrigo Magalhães*



 Viscondessa do Monte Verde- pintura a óleo, datada de 1862, de autoria de Rocha Fragoso,
um pintor bem-sucedido da Corte, retratista oficial do Conde D'Eu.
Quadro do Acervo da Matriz de N. S. dos Passos de Rio Preto/MG.


A cultura do café marcou um período de prosperidade e crescimento na história do município de Rio Preto/MG, sendo considerado como o apogeu econômico e político da região. Surgiram nessa época os “Barões do Café” no Vale do Rio Preto, local que, certamente, abrigou uma das maiores concentrações de aristocratas rurais de todo o Brasil Império, onde essas designações de fidalguia aportaram no século XIX.

Os cinco principais títulos de nobreza formavam uma escadinha hierárquica que obedecia à seguinte ordem, a começar do mais poderoso: duque, marquês, conde, visconde e barão.

No total, 1.211 títulos de nobreza foram distribuídos no país. Desse universo, interessante observar que apenas 26 mulheres foram agraciadas pelo Império brasileiro com o título de Viscondessa, em mais de um milheiro de homens, excluídas as esposas dos titulares, às quais se estendia o título, por hábito de cortesia e de nobiliarquia.

E foi no território do município de Rio Preto que viveu uma dessas importantes mulheres brasileiras do século XIX, onde ela possuía propriedades rurais e casas na cidade, a qual legou uma suntuosa igreja Matriz. Ela se chamava Maria Thereza de Souza Fortes, Viscondessa de Monte Verde - a única mulher que recebeu tal titulação dentre todas da então província de Minas Gerais!

Biografia

Maria Thereza de Souza Fortes nasceu no final do século XVIII (provavelmente em 1790), no município de São João Del-Rei, filha de membros de abastadas famílias mineiras. “Sou nascida e baptizada na Freguesia de Nossa Senhora do Pilar de São João-Del-Rei”, declarou em seu testamento.

A mãe, Ana Teresa de Mello Almeida Souza Menezes, era portuguesa, da freguesia dos Anjos da cidade de Lisboa, filha do Comendador Luiz de Souza Brandão Menezes e D. Felipa Antonia Mello de Noronha Almeida, da freguesia da Encarnação da cidade de Lisboa.

O pai, doutor Luís Fortes de Bustamante, foi o primeiro Guarda-mor de Rio Preto, em 1798. Coube a ele a importante função de distribuir as pioneiras “Datas e Sesmarias” em território riopretano. Mas em fevereiro de 1800 foi promovido, e a Guardamoria da então povoação do Presídio do Rio Preto passou a ser ocupada por seu irmão, Francisco Dionísio Fortes de Bustamante.

Em 1803, doutor Luís Fortes já ocupava o cargo máximo de Capitão-mor da província de Minas Gerais, em São João Del-Rei, sendo a autoridade responsável pela provisão de cargos e ofícios, por exemplo, para o posto de Alferes e Cabo das Esquadras, bem como pela execução de leis. E, em 1805, expediu-se um Decreto do príncipe regente D. João “fazendo mercê a Luís Fortes de Bustamante e Sá da serventia vitalícia do ofício de escrivão da Ouvidoria da comarca de Santa Catarina e Rio Grande de Porto Alegre”. Acredita-se que o povoado de Rio Preto passou a ser chamado nessa época de Arraial do Ouvidor, justamente em referência a esse que foi o primeiro Guarda-mor da localidade. Alguns documentos do início dos oitocentos referiam-se ao local como “Arraial do Ouvidor, Termo de Barbacena, Comarca do Rio das Mortes”.

Comendador Thereziano Fortes (s.d.)
Acervo da Matriz de N. S. dos Passos de Rio Preto/MG

Comendador Thereziano

Como era muito comum na época, Maria Thereza se casou com o seu primo Francisco Thereziano Fortes, filho de Francisco Dionísio Fortes de Bustamante, irmão de seu pai. Supõe-se que ele já residia desde 1815 na imponente casa sede da Fazenda Santa Clara, fundada por seu pai nos primeiros anos do século XIX, em Rio Preto, onde essa rica família construiu um verdadeiro império.

Seu sogro e tio Francisco Dionísio é considerado uma das colunas-mestras em que se assentou a fundação da cidade de Rio Preto. Pode-se dizer que ele foi a maior autoridade do então Arraial, logo após a abertura do então Sertão Proibido à exploração e povoamento. Como o maior proprietário de terras da região, as atividades de suas fazendas movimentavam os seus negócios, trazendo-lhe muita riqueza e, ao mesmo tempo, impulsionavam o desenvolvimento da povoação, onde era uma espécie de chefe de polícia e militar, sendo que era o Guarda-mor local e comandante do Quartel do Registro. Com o tempo, tornou-se também o Procurador dos Índios Coroados e o Provedor das Capelas de toda a região do Vale do Rio Preto.

Francisco Dionísio faleceu em 1820. Como filho primogênito, Thereziano herdou a principal fazenda - Santa Clara, onde passou a residir em companhia da esposa Maria Thereza. Thereziano também era revestido de poder por patente concedida, pois “era Capitão do Corpo de Ordenanças da Vila do Têrmo de São João Del Rei, no Pirapetinga do Rio Preto”, e ocupou cargos de destaque na comunidade riopretana. Enriqueceu com mineração no rio Preto e seus afluentes, com herança recebida de parentes abastados e, sobretudo, com o café.

Benfeitor inconteste, ele doou à povoação do Presídio do Rio Preto terrenos, dinheiro para a construção de prédios e mão de obra escrava para outras obras, contribuindo sobremaneira com o progresso da localidade em que residia. Conta-se que a construção da Matriz fora ideia sua, e que para tanto doou 300 arrobas de café que, após vendidas, deu início às obras com o dinheiro arrecadado, em 1835. Além disso, foi ele quem principiou a edificação do suntuoso prédio onde funcionaria a primeira “Casa de Câmara e Cadeia” da Vila do Rio Preto.

Já ostentando o título de Comendador desde 1842, por sua participação saliente na Revolução Liberal, tornou-se a principal personagem de Rio Preto, o Arraial que ele muito contribuiu para ser elevado à cidade, em 1844, tendo sido o seu primeiro intendente municipal (prefeito).

Thereziano faleceu repentinamente Comendador, antes de ser agraciado Barão ou até mesmo Visconde, em 1854, durante uma viagem à sua terra natal, São João Del-Rei, onde foi sepultado. E, assim, não se cumpriu o seu desejo deixado em testamento de ser sepultado em Rio Preto: “(...) se morrer nesta Fazenda (Santa Clara), quero ser enterrado no cemitério da mesma onde já tenho o lugar marcado, sendo meu corpo envolto no habito de Sam Francisco de Paula”.

Os gêmeos

Consta no Livro de Tombo nº 01 da Parochia da Matriz de N. S. dos Passos de Rio Preto, que o Rev. Padre Manoel Mendes Lopes, “a 3/3/1834 batiza: Francisco e Antônio, gêmeos, filhos do capitão Francisco Thereziano Fortes e de D. Maria Thereza de Souza Fortes. Foram padrinhos do primeiro: João Pedro Medeiros e sua mulher, D. Joanna Hedovirges de Medeiros, por procuração que apresentou Carlos Theodoro de Souza. Do segundo, foram padrinhos Carlos Theodoro e sua mulher, D. Izabel Henriqueta Fortes.”

Entretanto, menos de dois anos após serem batizados, aos oito de janeiro de 1836, os gêmeos Francisco e Antônio faleceram, com tenra idade (“ainda inocentes”), e as causas das mortes são desconhecidas. É o que consta no Livro de Óbitos de Rio Preto (1833-1848). Depois dessa tragédia familiar, Maria Thereza nunca mais teve outros filhos.

Matriz de N. S. dos Passos de Rio Preto/MG
Acervo do Museu Regional de Rio Preto

Matriz Senhor dos Passos

Com a morte precoce do Comendador Thereziano, em 1854, a viúva dona Maria Thereza necessitava de auxílio para administrar os mais diversos negócios da Fazenda Santa Clara, especialmente aqueles relacionados ao café. Por essa razão, algum tempo depois apareceu em Rio Preto o doutor Gabriel Ploesquellec de Bustamante, seu sobrinho e afilhado que acabava de chegar da Europa, trazendo da Universidade de Coimbra o diploma de Bacharel em Direito. Assumiu logo a direção dos negócios da Santa Clara, inclusive a administração das obras da Matriz Senhor dos Passos, na vila do Rio Preto, onde residia na “Casa da Cidade” da sua tia.

Foi assim que ocorreu a execução do ambicioso projeto de seu finado marido, quando então a viúva Maria Theresa continuou as obras da majestosa igreja, doando mais dinheiro e várias arrobas de café. Foi ela quem contratou José Maria Vilaronga Y Panella, arquiteto catalão (natural da Catalunha, província espanhola) recém-chegado da Europa, para dar prosseguimento às obras da nova Matriz, que foi inaugurada em meio a grandes festividades, no dia 26 de setembro de 1860.

Casa de Câmara e Cadeia da Vila do Rio Preto/MG
Acervo do Museu Regional de Rio Preto

Os escravos

Dona Maria Thereza certamente presenciou muitos escravos sendo castigados e torturados ao longo dos anos vividos na Fazenda Santa Clara. Afinal, nos porões situados logo abaixo de um dos salões da casa sede, onde os proprietários faziam as suas principais refeições, situava-se o temível calabouço, uma espécie de prisão com diversos instrumentos de torturas, com capacidade de abrigar até duzentos cativos. Isso porque algumas citações estimam que as senzalas da Santa Clara abrigaram mais de dois mil escravizados.

Por outro lado, conta-se que dona Maria Theresa, logo após a inauguração da Matriz, mandou alforriar todos os escravos que trabalharam na construção e ordenou que soltassem todos os animais que prestaram serviço, e ainda teria dado, nos limites da Fazenda Santa Clara, nas paragens do Boqueirão e do Taboão, diversos pedaços de terra a estes escravos.

Sendo verdade essa parte da história preservada pela tradição oral, podemos constatar que dona Maria Thereza soube reconhecer todo o sacrifício e o esforço sobre-humanos desempenhados por seus escravos durante os 25 anos de intenso trabalho a fim de edificarem, à custa de seu suor, esse gigantesco templo que até os dias atuais é reconhecido como uma das maiores e mais belas igrejas de toda a região.

Mais do que isso, há outros documentos que sugerem que a Viscondessa do Monte Verde dispensava um tratamento benevolente para com alguns de seus escravizados. Nesse sentido, corrobora o que consta em seu testamento, em que a mesma declara que “(...) estando em estado de saúde e perfeito juízo, (...) em disposição de dever e de última vontade (...) deixo liberto os meos escravos...”, descrevendo nominalmente 14 cativos de sua propriedade, aos quais ainda deixou a “gratificação de cem mil reis a cada um”, junto com a carta de alforria.

Por fim, o fato de a Viscondessa do Monte Verde ter escolhido para escrever o seu testamento o padre João de Souza Godinho também demonstra que a mesma, de fato, não levara em conta a cor da pele da pessoa na qual confiou redigir o documento mais importante de sua vida, uma vez que o referido reverendo de Rio Preto era negro, caso raro no Brasil Império.

"Palacete da Baronesa" (principal da Casa da Cidade de D. Maria Thereza).
Doada pelo Barão de Santa Clara para funcionar como o primeiro hospital local.
Santa Casa de Misericórdia de Rio Preto/MG

O caso Manoel Pereira

Manoel da Silva Pereira Júnior era português. Chegou a Rio Preto em 1832, aos 17 anos de idade. Empregou-se nas fazendas da família Fortes, onde aprendeu com os antigos escravos mestres de ofício as profissões de marceneiro, ferreiro, pedreiro e maquinista. Dotado de uma inteligência superior, rapidamente tornou-se o administrador da Fazenda Santa Clara.

Em 1842, casou-se com Maria Ignácia e, ainda pobre, se mudou para as terras de seu sogro, vizinha da Fazenda Santa Clara. Com muito trabalho, conseguiu comprar as terras a seu sogro, fundou a Fazenda Pirapetinga e em poucos anos se tornou um dos maiores fazendeiros da região. Tornou-se uma figura de destaque em Rio Preto, onde fundou o Partido Liberal junto com os seus patrícios que, em meados do século XIX, já dominavam a lavoura e o comércio na cidade.

Em 1850 o candidato liberal apoiado por Manoel Pereira foi o mais votado nas eleições municipais e, no ano seguinte, assumiu a presidência da Câmara e a Intendência (prefeito) – o major Luiz José de Souza e Silva, fato que desagradou sobremaneira a toda família Fortes, principal liderança do partido Conservador em Rio Preto, onde desde 1844 dominavam sem adversários a política local.

Pereira era um visionário e, visando o progresso e o desenvolvimento da região, projetou uma estrada margeando o ribeirão Pirapetinga, sempre em linha reta, a fim de encurtar a distância entre Bom Jardim de Minas e o Rio de Janeiro. Após autorização dos governos de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, iniciou os trabalhos. Mas, já no segundo dia foi covardemente agredido e ameaçado de morte. Membros da abastada família Fortes, seus antigos patrões (agora seus adversários políticos), não concordaram com a construção da estrada do Manoel Pereira, opondo-se de todas as maneiras possíveis ao projeto e impedindo que esse caminho passasse por suas terras. Para esse fim, usaram de vários expedientes criminosos, como afundar uma barca utilizada por Manoel Pereira nos trabalhos e até mesmo derrubar uma ponte que já estava pronta e em uso.

Essa acirrada disputa entre Fortistas e Pereiristas arrastou-se por longos anos e foi parar nos principais jornais do país. E como Manoel Pereira vencera na opinião publica, sendo que a maior parte da população regional era favorável a sua estrada, bem como nas instâncias judicias e políticas, o principal auxiliar da viúva dona Maria Thereza – doutor Gabriel, que à época era o Juiz Municipal da comarca de Rio Preto, mandou escravos e capatazes de Santa Clara matar o português liberal, em 20 de maio de 1863, após praticarem uma série de castigos, mutilando vários membros do corpo do português.

Não satisfeitos, os executores amarraram os seus braços e as suas pernas em uma pesada pedra e atiraram o seu corpo no meio do rio Preto. Poucos dias após o sumiço de Manoel Pereira, um viajante viu aflorando das águas do rio, que baixara subitamente, as mãos de uma pessoa. Eram as mãos de Manoel Pereira – “implorando justiça”, dizia o povo! – que se soltaram da corrente.

O processo e julgamento do caso Manoel Pereira foi rumoroso, noticiado e acompanhado por toda a imprensa da Corte. Doutor Gabriel, apontado como o principal mandante do crime, fugiu da Fazenda Santa Clara, a qual a população local ameaçava invadir para vingar a morte do altruísta Manoel Pereira. Do Rio de Janeiro, embarcou para Angola, de onde nunca mais retornou.

Foram presos os escravos e capatazes da Fazenda Santa Clara, executores do bárbaro crime, e coube à dona Maria Thereza pagar pela defesa dos mesmos. Para tanto gastou uma formidável fortuna ao contratar o renomado advogado, jornalista e político, doutor Saldanha Marinho. Além disso, a reputação de sua família se viu extremamente prejudicada na região, também devido à prisão de seu primo e cunhado, o todo poderoso desembargador doutor Antônio Joaquim Fortes de Bustamante, também acusado de ser mandante do assassinato de Manoel Pereira, muito embora o mesmo tenha sido absolvido posteriormente.

Por ordem direta do imperador D. Pedro II, a cidade de Rio Preto foi rebaixada a distrito novamente, devido à repercussão negativa ocasionada pelo cruel assassinato do empresário português. Desde então, a viúva dona Maria Thereza passou a viver em companhia do seu irmão, o Comendador Carlos Theodoro de Souza Fortes.

Primeira residência da Viscondessa do Monte Verde na cidade.
Doada pelo Barão de Santa Clara ao médico Dr. Affonso Portugal.
Acervo do Museu Regional de Rio Preto.

Títulos nobiliárquicos

Em reconhecimento a uma notória contribuição pública, devido à magnificência da Matriz construída com seu próprio dinheiro, aliado à posição de destaque política e econômica de Rio Preto no cenário nacional àquele período, por meio do Decreto Imperial datado de cinco de fevereiro de 1861, Maria Thereza de Souza Fortes foi agraciada com o título nobiliárquico de Baronesa do Monte Verde.

Acreditamos que o nome por ela escolhido faz referência ao Sítio Monte Verde, de sua propriedade, um lugar aprazível de onde se avista a formidável cachoeira que se forma nas proximidades da foz do ribeirão Pirapetinga no rio Preto, em território mineiro, situado a poucos quilômetros da sede da Fazenda Santa Clara.

 Seis anos depois, também por Decreto do Imperador D. Pedro II, datado de dezessete de abril de 1867, a baronesa foi elevada na hierarquia dos nobres brasileiros. Assim, tornou-se a única mulher a merecer a titulação de Viscondessa em toda a província de Minas Gerais, e uma das 26 mulheres agraciadas pelo Império Brasileiro, de acordo com pesquisas realizadas nesse sentido pelo experiente historiador e escritor valenciano, Rogério da Silva Tjader.

Testamento da Viscondessa do Monte Verde.
Arquivo Morto da Comarca de Rio Preto/MG.

O testamento

Pelo seu testamento, vê-se que a Viscondessa do Monte Verde era uma pessoa extremamente rica. Além de possuir muitas centenas de escravizados e a Fazenda Santa Clara, cuja sede ainda hoje é considerada uma das maiores edificações do país, e chegou a ter mais de seis mil metros quadrados de área construída, ela ainda possuía: o Sítio Monte Verde, o Sítio João Baptista, o Sítio Pirapetinga, o Sítio Lamabri, quatro moradas de casas no Arraial de Rio Preto e duas chácaras na Corte do Rio de Janeiro, em Catumby e Pedregulho, entre outros bens, conforme se vê do referido documento.

Como disposição de última vontade, pelo fato de não ter deixados filhos, a Viscondessa legou o seu patrimônio a diversos parentes de Rio Preto, São João Del-Rei e Rio de Janeiro. Mas certamente o maior beneficiado de todos foi o seu irmão Carlos Theodoro de Souza Fortes, nomeado por ela o seu primeiro testamenteiro, “por sua lealdade e companhia que prestou-me desde tenra idade”, que entre outros bens herdou a grandiloquente Fazenda Santa Clara.

Ele também foi um grande benfeitor da cidade de Rio Preto, onde exerceu a vereança. Foi o Comendador Carlos Theodoro que em 1880 doou o chamado “Palacete da Baronesa”, imóvel que na época era a sua principal casa da cidade, para a Santa Casa de Misericórdia local, entidade sem fins lucrativos que ele ajudou a criar e da qual foi o seu primeiro Provedor (em funcionamento no mesmo imóvel, até os dias atuais, como o principal hospital da cidade). Assim, por Decreto Imperial de 10/06/1882, recebeu de D. Pedro II a comenda da Ordem da Rosa e o título de Barão de Santa Clara.

Pelo mencionado testamento, vê-se também que a Viscondessa do Monte Verde, embora domiciliada em Rio Preto, pertencia a grandes irmandades religiosas do Brasil, como a Ordem do Carmo, na província de Pernambuco, a Irmandade do Santíssimo Sacramento e a Ordem de São Francisco, de São João Del-Rei e, por fim, a Irmandade do Senhor Bom Jesus do Matozinhos, de Congonhas do Campo.

Diz-se que toda vez que viajava, retornava para a Vila de Rio Preto em grande estilo e luxuoso aparato, comparável aos da Corte, sempre acompanhada de mucamas, pajens, belos animais e ricas liteiras.

Ela faleceu na Fazenda Santa Clara, no dia seis de maio de 1868, e foi sepultada à frente do altar-mor da Matriz Nosso Senhor dos Passos de Rio Preto, onde há uma lápide informando que “Aqui jaz a fundadora dessa Matriz”!

Lápide situada no altar-mor da
Matriz de N. S. dos Passos de Rio Preto.

*Rodrigo Magalhães é pesquisador e historiador riopretano!

3 comentários:

  1. Parabéns pelo seu ótimo trabalho ,li todo o artigo e este me acrescentou muito conhecimento sobre a história da fazenda que amo Santa Clara .

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  2. Excelente artigo muito bem elaborado

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  3. Não sou de RIO PRETO,e sim de Sant.Bárbara do M.v,mas meu esposo é de RP.Mas tenho um orgulho imenso por esta cidade,acho que dá pessoas não sabem valorizar a riqueza deste ligar,a história desta cidade,são poucos os que sabem uma istoria deste lugar lindo,( eu coloquei istori,porque o que temos é mais que isto,temos uma riqueza aprofundada,neste lugar de lindas coisas que deveriam ser aprofundadas nas escolas,pelos pais.mas,como muitos jovens acham isto é coisa pra velhos.

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