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quinta-feira, 12 de novembro de 2020

GRUTA DA ÁGUA SANTA: MISTÉRIOS, LENDAS E RELIGIOSIDADE!

 Blog Rio Preto Noutros Tempos - por Rodrigo Magalhães*



O local que atualmente é mais conhecido por “Gruta do Funil” foi o pioneiro em atrair turistas ao município de Rio Preto. Trata-se de uma montanha alta, constituída de grandes pedras e areia branca que, próximo ao cume plano com 1 104 metros de altitude, abriga uma extensa cavidade (cerca de 750 m²) que é a porta de entrada para outros diversos salões existentes no interior da caverna. Esse lugar é considerados vmístico e sagrado desde as primeiras décafdas do século 20, quando se tornou local de peregrinações e turismo religioso.

A tradição oral sustenta que a água que nasce nas pedras situadas nessa gruta seria “santa”, dotadasvvxvcvt de pbbvoder medicinal, capaz de curar diversas doenças. Afirmam, ainda, que as curas obtidas por meio dessa água foi o que motivou a fundação de uma capela improvisada no primeiro salão da caverna, na medida em que muitos desses fiéis retornavam para agradecer as graças obtidas e deixavam imagens de santas no interior da gruta, como as de Nossa Senhora das Graças e Nossa Senhora do Amparo. Por esse motivo, rapidamente o lugar se tornou sagrado e passou a ser chamado pelos devotos de “Gruta da Água Santa”. Para a Igreja, que o recebeu como doação de dona Felisbina Gomes, é “Gruta de Nossa Senhora”!

É certo que diversas peregrinações partiam rumo ao cume da montanha para buscar um pouco da “água milagrosa que curava”, no interior da gruta, onde a seguir teve início as celebrações religiosas em um altar improvisado, como missas, batizados e casamentos. Oficialmente, a primeira missa teria acontecido aos 16 de outubro de 1932, celebrada pelo pároco de Rio Preto à época, o vigário Domingos Nardy. Mas foi depois da chegada do padre Ceslau Martinho à paróquia, em 1934, que o lugar passou a ser incrementado pela Igreja Católica, e teve início as concorridas festas do Funil no dia da padroeira local – N. S. da Glória.

Um novo altar foi edificado no primeiro salão da gruta, que recebeu a imagem de Nossa Senhora da Boa Morte, oferecida pelo coronel Antônio Ferreira de Oliveira Júnior. Um púlpito de cimento sobre uma pedra foi construído em 1937. E, finalmente, aos 13 de agosto de 1940 foi colocada uma cruz de mármore sobre o altar, adquirido pela quantia levantada através de leilões organizados todos os meses por ocasião das missas.

 Antigos moradores locais aventam ainda outras estórias para explicarem a origem do nome mítico do lugar, como a que “no século 19 ali viveu sozinho um monge ermitão, tornando o lugar sag..rado”.  A mais conhecida delas está relacionada a uma “imagem de Nossa Senhora” desenhada pela água que, misteriosamente, teria surgido em um muro de alvenaria construído na gruta para conter a areia que estava a soterrar a entrada do salão onde fica o altar.  

Um pouco de lenda e de verdade. Fato é que o lugar que servia de abrigo para tropeiros no século 18, hoje é o principal cartão postal da região e atraí todos os finais de semana dezenas de visitantes, dentre turistas, curiosos e fiéis!



*Rodrigo Magalhães – pesquisador e historiador riopretano.

FOTOS: Bruno Hiacomam

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